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O primeiro voto da nova geração: o que os jovens querem para o futuro?

  • Foto do escritor: Repórteres: Arthur Araújo da Costa, Joyce Christine Carvalho e Mariana França
    Repórteres: Arthur Araújo da Costa, Joyce Christine Carvalho e Mariana França
  • 4 de mar.
  • 8 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.

Pesquisa realizada pelo Joml@b indica que jovens veem na eleição uma forma de transformação social e se sentem motivados a votarem pela primeira vez em 2026.


Foto: Cabina de votação. Reprodução.


Uma pesquisa exploratória realizada pelos repórteres do Joml@b, procurou questionar os jovens que irão votar pela primeira vez nestas eleições de 2026 por meio do questionário “Eleições 2026 - Primeiro Voto”, que continha 11 perguntas. A pesquisa circulou entre dezembro de 2025 e início de fevereiro deste ano, e ao todo foram 45 respostas de alunos, majoritariamente mulheres (58,1%, ou 26 votos), pertencentes a uma instituição pública de ensino (95,5%, ou 43 votos), com 16 anos (51,2%, ou 23 pessoas). Sobre as questões direcionadas à pesquisa, 38 pessoas (84,4%) disseram que irão votar e grande parte respondeu fazer isso por vontade própria (81%).


Por ser uma pesquisa optativa, é possível interpretar muitas coisas: as turmas dessas instituições podem conter mais mulheres, elas se sentiram mais à vontade em responder ou acharam o questionário importante, e, aparentemente, pertencer a uma instituição pública de ensino torna mais provável de querer participar e/ou se envolver. Das instituições buscadas, é provável que a maioria seja de algum Instituto Federal da Paraíba (IFPB), pois falando com o diretor de uma dos institutos, esse se mostrou interessado e permitiu o compartilhamento do questionário, mas como também foi disponibilizado de maneira eletrônica por via de grupos em redes sociais, não se pode confirmar este dado.


O fato desse interesse vir majoritariamente de instituições públicas possui uma base: elas são regidas e financiadas pelo governo, o qual aprova e por vezes intervém com ações que podem agradar ou gerar discussões com as comunidades acadêmicas, como nos casos do Movimento “Tira a mão do meu IF” e a eleição do Ex-reitor da UFPB Valdiney Veloso Gouveia.


“Tira a mão do meu IF porque nossa escola nos prepara para o mercado de trabalho, mas também nos ensina cidadania” foi a frase dita pelo ex-presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Pedro Gorki, se pronunciando sobre os cortes de 30% nos Institutos Federais, anunciados no dia 30 de abril de 2019. O movimento iniciado no dia 3 de maio, contou com a hashtag #TiraAMãoDoMeuIF, no instagram, e reunindo alunos para se pronunciarem sobre o quão importante é estudar em um Instituto Federal.


Já a revolta em torno do Ex-reitor da UFPB, aconteceu porque ele, mesmo sendo o menos votado entre os 3 candidatos, foi escolhido pelo ex-presidente Bolsonaro, contrariando a vontade da comunidade acadêmica (docentes e discentes) e dos terceirizados, gerando protestos entre os universitários.


É difícil determinar por que alguém faz ou não uma escolha, pois embora muitos alunos aderiram aos protestos isso não significa que todos pensam da mesma forma, mas é uma maneira de refletir sobre os resultados obtidos. E essa interpretação é corroborada com as respostas dos participantes sobre porquê votar.


Em resumo das respostas sobre a pergunta “Para você, qual a importância do primeiro voto?”, a maioria se mostrou inspirada para participar nas urnas, seja porque acharam nisso uma maneira de exercer o dever cidadão, garantir a permanência de direitos sociais - como poder eleger os próprios representantes, promover e manter políticas públicas como cotas e auxílios -, ou afirmando como um voto sozinho é pouco, mas quando a nação faz isso em conjunto é capaz de mudar a realidade do país. A seguir algumas respostas desses jovens:


“O primeiro voto é uma forma de se posicionar diante do cenário em que nós vivemos e acaba sendo o único momento em que tanto os políticos quanto a população tem o mesmo poder, que é o poder de decidir quem estará à frente das decisões públicas.”

“O primeiro voto é importante porque é a primeira vez que posso participar das decisões do país e aprender a escolher melhor meus representantes.”

“Muito importante, porque mesmo sendo um único voto, o de milhares de pessoas faz a diferença na região/cidade/país. Especialmente país.”

E é assim que os jovens se posicionam sobre a importância do voto, desejando através dele atingir um bem estar social, contribuindo para eleger uma pessoa capaz de  garantir que os direitos sociais - como saúde, educação, auxílios - sejam preservados e almejando expandir ainda mais o roll. Com esse pensamento, eles ajudam cada vez mais grupos necessitados, e provam que quando várias pessoas se reúnem e votam juntas, decidem o futuro do país. A seguir, o comentário que no fim resumiu os principais assuntos:


“O primeiro voto é muito importante porque é a primeira vez que a gente participa diretamente das decisões do país. É uma forma de mostrar o que a gente acredita e de tentar melhorar a realidade ao nosso redor. Mesmo sendo jovem, eu acho que nossa opinião conta muito, porque somos nós que vamos viver as consequências das escolhas políticas pelos próximos anos. Mas ao mesmo tempo, acho que nem todos os jovens têm a maturidade ou o conhecimento necessário, porque muitas vezes não buscam aprender e estudar sobre a política do nosso país, sendo influenciados por outras pessoas ou pela internet sem realmente entender o que está por trás das decisões.”

A pergunta seguinte do questionário (Você costuma consumir conteúdos políticos? Quais? E por onde?) tinha por objetivo conhecer por onde a notícia chega aos jovens, e assim questionar a qualidade dessa informação. Ao avaliar todos os 50 itens citados, foi possível perceber a grande influência das redes sociais digitais nas escolhas desses jovens como meio de  obter informação.


Para se ter noção, as redes sociais foram citadas 5 vezes entre os que afirmaram consumir raramente conteúdo político e 12 vezes entre os consumidores regulares, totalizando 17 citações e sendo o meio mais citado. Os outros exemplos são os “portais jornalísticos” com 12 citações - 2 do grupo que pouco consome; 10 que consomem normalmente - e o grupo “Outro”, que comporta os meios incomuns ou não especificados, com uma citação à TV por parte de um consumidor eventual e 10 que foram genéricos ao citar “fontes confiáveis”, “projetos”, “livros de história” entre outros. Finalizando as citações, 9 pessoas não consomem nada e 1 citou um político como fonte de referência.


Com o avanço tecnológico as empresas de comunicação precisaram se adequar às novas práticas dos públicos que passam a desejar conteúdos rápidos e de fácil acesso, sendo esses basicamente os objetivos das mídias sociais. Muitas empresas de comunicação migraram para as redes sociais buscando táticas para transmitirem informações e chamarem a atenção dos consumidores para seus próprios sites oficiais. Porém, isso também possibilitou que grupos sem os princípios jornalísticos - como a ética, a neutralidade, o respeito com as fontes e as pessoas citadas - se tornassem fontes para muita gente. Esse fato, somado à falta de especificação sobre quais fontes são confiáveis ou portais devem ser lidos, não torna claro quais os critérios para uma pessoa achar aquela fonte responsável ou não.


Adiante, o questionário pede que os estudantes citem quais temas deveriam aparecer nas discussões públicas dos candidatos. Como se pode imaginar, as mais citadas foram: educação pública (29 citações), saúde (25 citações), políticas públicas (23 citações) e segurança pública (14 citações). Mas o interessante não é o tema central, mas sim as especificações usadas pelos jovens para exemplificar.


Por exemplo, na temática “Saúde” foi citado “negligência em hospitais/postos de saúde” como assunto importante para ser discutido. De fato, quando se trata de saúde e bem estar algumas pessoas sentem receio de usar novos medicamentos, passar por tratamentos rigorosos, saírem pior do que entraram, com dor, medo, entre outras coisas.


Lembremos do caso do jovem Benício Xavier, de 6 anos, o qual, entre os dias 23-24 de novembro de 2025, tomou adrenalina diretamente na veia e, segundo relato dos pais, “sentiu o próprio coração queimando”. Durante a investigação, foi descoberto a falha: a adrenalina deveria ser usada via nebulização, método utilizado para abrir as vias aéreas em casos de alergia e, no caso do jovem, aliviar uma suposta crise de laringite. O uso intravenoso (diretamente na veia) é recomendado somente em casos graves de parada cardíaca. Mesmo com o comentário do pai sobre o filho nunca ter precisado receber adrenalina na veia, a técnica de enfermagem encarregada do tratamento fez a aplicação. Acidental ou não, ela e a médica são responsabilizadas pelo o ocorrido e, querendo ou não, a criança faleceu e deixou dois pais em grande angústia. Além desse caso, existem outras situações referentes a abordagem do profissional, como a violência obstétrica - muitas vezes ligadas a episódios de racismo - ou profissionais que mesmo em horário de plantão não estão no consultório.


Em “Políticas públicas” foram citados diversos direitos básicos - como a alimentação, moradia, saneamento básico, apoio a pessoas de baixa renda, infraestrutura -, e políticas sociais - como falar de PCDs, combater o racismo e outros preconceitos -, elementos importantes não só para as pessoas beneficiadas, pois quando um país investe em seu povo está também formando novos trabalhadores que irão contribuir e produzir riquezas, circulando a economia local. Assim como um só andorinha não faz verão, um país sem população funcional é um atestado de óbito.


Outros temas citados foram sobre economia (9 vezes) - incluindo um pedido de controle do turismo para não inflacionar produtos locais e afetar a vida dos  moradores de uma área turística -, meio ambiente e racismo ambiental (6 vezes), 4 pedidos de “consciência” por parte dos políticos - para se manterem íntegros e terem empatia pelos eleitores -, Direitos humanos e trabalhistas (5 vezes) e 9 citações que se mostraram confusas quanto ao contexto pensado pelos participantes, como nos pedidos de “melhorar o Brasil” e “O problema que o país enfrenta”, ou amplas demais para entender em qual aspecto o participante pensou, como lazer (Que tipo? em qual contexto?) e tecnologia (De qual área? É sobre máquinas elétricas ou também inclui instrumentos manuais?).


E por fim, a última pergunta do questionário foi se os participantes conversavam sobre política com alguém, com a maioria dizendo que sim (10 pessoas conversam normalmente e 1 fala só como os pais), alguns dizendo que falam mais ou menos (9 pessoas), 4 disseram falar raramente e 1 disse, para não gerar intrigas familiares, apenas falar dos atuais acontecimentos, sem assumir algum lado na fala. Somente 8 pessoas assumiram não falar sobre política.


Como pode-se notar, além de propor temas para discussão, cada um escuta um pouco do que está acontecendo e discute estes assuntos entre os grupos que mais se sentem confortáveis, promovendo assim diálogos e gerando novas discussões sobre os problemas atuais e o que deve ser melhorado nesse e nos próximos mandatos.


Na história do Brasil, ao longo de 137 anos, tivemos 44 presidentes, 5 fases da República, 3 intervenções militares (se contarmos com a ocorrida em 1889 para iniciar a República), além de diversas outras revoltas e conquistas, para chegarmos hoje em outro ano de eleição. Imagine como reagiriam as pessoas do início do século passado ao saberem que todo brasileiro poderia ajudar a decidir quem iria representar o país, independente de cor de pele, gênero, nível de escolaridade e sexualidade, ou que seria criado uma máquina e sistema próprio para contabilizar votos e evitar fraudes eleitorais, como urna eletrônica, por exemplo. Provavelmente iriam desacreditar, rir ou ficar assustados com tantos grupos diferentes envolvidos nessas decisões. 


Hoje as pessoas podem olhar para o passado e avaliar como tudo aconteceu e dizer o querem para o futuro, e mesmo que muitas discussões políticas sejam passionais e pouco falem de propostas, a democracia continua caminhando e os insatisfeitos estão lutando para mudar a realidade. Seja como for, logo-logo os brasileiros estarão novamente nas urnas para eleger os candidatos que acharem mais adequados a administrarem este país. Que o futuro seja encantador.


Agradecemos aos contribuidores anônimos, que responderam os questionários e possibilitaram a produção dessa reportagem especial sobre o primeiro voto em 2026. Cada resposta não só ajudou a turma, pois possibilitou também que muitos outros possam ler e se informar sobre como os brasileiros – mesmo que em um grupo restrito – veem as eleições e qual a importância do voto para aqueles que irão pela primeira vez ir às urnas e contribuir para o futuro do país.






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