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João Pessoa tem 2ª tarifa de ônibus mais cara do Nordeste e serviço segue precário

  • Foto do escritor: Repórteres: Milena Oliveira e Caren Braga
    Repórteres: Milena Oliveira e Caren Braga
  • 25 de mar.
  • 3 min de leitura

Em ano eleitoral, a mobilidade urbana voltará a ser tema de debate. Por isso, é importante compreender os problemas que afetam o dia a dia dos cidadãos de João Pessoa.


A mobilidade urbana é um dos pilares de uma sociedade. Esse serviço essencial afeta diretamente a qualidade de vida de quem faz a cidade funcionar todos os dias, mas ainda assim tem sua importância escondida embaixo do tapete. Para além da necessidade, o transporte público deve ser uma escolha possível e confortável para os cidadãos.


Entretanto, em João Pessoa, a realidade é a de um serviço precário que não atende as demandas da população, mesmo com as “melhorias” que são superficiais e com a alta nas tarifas. 


Em 2026, o Conselho de Mobilidade Urbana indicou um novo aumento na tarifa na capital paraibana, que passou a cobrar R$ 5,45 por passagem, consolidando João Pessoa como o segundo lugar no ranking das tarifas de ônibus mais caras no Nordeste. 


De acordo com dados da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob-JP), antes da pandemia, a capital paraibana contava com 99 linhas de ônibus e 465 veículos em circulação. Já em 2025, houve uma diminuição no número de linhas, que passou a ser 79, enquanto os veículos em circulação tiveram um aumento, totalizando 482 veículos. 


O aumento na quantidade de veículos e no valor da tarifa, mesmo com a estagnação na qualidade do serviço, aponta para um problema maior: a má otimização das linhas de ônibus na cidade. 


DESTAQUE: Linhas desorganizadas 


Em um estudo realizado pelo doutorando em engenharia civil e ambiental Marcelo Chalub Llanco, foi possível perceber a desorganização do principal transporte público da cidade. 


“Esse trabalho eu realizei ele recolhendo alguns dados da UFPB. Fui na reitoria e coletei esses dados, onde a minha área de estudo abrange 17.892 alunos. Esse trabalho, ele objetivou realizar o diagnóstico da mesoacessibilidade ao transporte público em torno da UFPB no campus 1. E o objetivo específico foi analisar o desempenho do transporte público nas áreas circundantes, identificar as debilidades e diagnosticar as condições.”, explicou Marcelo em entrevista. 

A pesquisa considerou o recorte espacial da UFPB e cinco regiões adjacentes, e analisou 25 linhas radiais (bairro/centro) e circulares (bairro/bairro). A média encontrada durante a pesquisa foi de 6,97 veículos por linha, o que colocou 15 linhas abaixo do valor médio. O destaque foi para as linhas 518 e 527, que possuem apenas 3 e 2 veículos respectivamente. 


Outro ponto importante é que 16 das 25 linhas também estavam abaixo da média na quantidade de viagens realizadas por dia, o que dificulta o acesso da população e aumenta o tempo de espera. 



Durante a entrevista, Marcelo detalhou pontos cruciais de otimização para a melhoria do transporte público, como: 


  • Redistribuir frota para áreas com baixa cobertura. 

  • Diminuir o intervalo entre os ônibus, mantendo uma meta de no máximo 10 minutos, para aumentar a confiabilidade no serviço.

  • Reorganizar linhas subutilizadas, como o 527 e o 5110. 

  • Ajustar linhas superutilizadas, como 304 e 518 para evitar sobrecarga.

  • Melhorar a infraestrutura das paradas. 

  • Possibilidade de criação de vias exclusivas para ônibus, tornando o transporte público mais atrativo do que o privado em alguns casos.


Também é relevante considerar a logística para o acesso ao ônibus. Segundo o pesquisador, a distância até as paradas de ônibus é um critério importante na análise do transporte público.


“Aí que está outro problema também na questão do transporte público. Para você fazer o acesso a ele, tem que fazer uma caminhada, geralmente de uma distância de médio percurso. E também o ponto de parada, que é um dos pontos que é o meu estudo atual. É uma lacuna horrível. Você pode parar, tem uma plaquinha, e aí o sol, e a chuva, e a sujeira.”, detalhou Marcelo. 

Os resultados de Marcelo representam um recorte espacial específico de médias distâncias, mas também compreende questões maiores de desorganização no transporte público de João Pessoa.


“Se a gente não tem essa capacidade de se locomover, que inclusive está na nossa Constituição, né? Esse direito de ir e vir. A gente sequer tem um aproveitamento do meio urbano”, concluiu o pesquisador. 

Em ano eleitoral, a dificuldade de mobilidade urbana na cidade e como isso afeta o cotidiano dos cidadãos, deve ser debatida de forma mais transparente e séria, embasada pelos dados que racionalizam esses problemas reais e alarmantes. 


  • dados de quantidade de usuários nos anos 2000 e depois (houve diminuição) 


CRISE DO TRANSPORTE PÚBLICO EM JOÃO PESSOA


QUEDA DE PASSAGEIROS


1990: 10 milhões/mês → 2025: 4,5 milhões/mês


(-55% em 35 anos)

 (Passos et al., 2015; SEMOB, 2025)


 
 
 

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