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Furto de celulares cresce como pauta central da segurança pública e entra no radar eleitoral

  • Foto do escritor: Repórteres: Gean Santos e Jhúlio Fernando
    Repórteres: Gean Santos e Jhúlio Fernando
  • 4 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de mar.


Medo de ter celular roubado muda rotina de 63% dos brasileiros; Senado aprova projeto com pena específica para o furto



A segurança pública volta ao centro do debate político em ano eleitoral: a Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou, na última terça-feira (24), projeto do senador Flávio Bolsonaro que endurece a pena para furto de celular, crime que afeta quase 1 milhão de brasileiros por ano.


A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal aprovou, na última terça-feira (24), um projeto de lei que prevê o aumento da pena máxima para o crime de furto de celular. De autoria do senador Flávio Bolsonaro, a proposta cria um tratamento específico para esse tipo de delito na legislação penal, retirando-o do enquadramento genérico de furto simples. O texto ainda precisa passar por outras etapas de tramitação no Congresso antes de entrar em vigor.


O debate chega ao Legislativo em um momento em que a insegurança urbana pesa no cotidiano dos brasileiros. Em pesquisa independente realizada pelo Joml@b, formado por estudantes de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), 20,6% dos 68 respondentes —  14 pessoas — apontaram problemas relacionados à segurança pública. Entre os relatos coletados, a preocupação com furtos e roubos de celular apareceu recorrentemente, especialmente em deslocamentos por vias públicas e no transporte coletivo.


Os números nacionais confirmam a dimensão do problema. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 917.748 pessoas tiveram o celular roubado ou furtado em 2025, uma queda de 13,4% em relação a 2024, mas ainda um volume expressivo. Na maioria dos casos, 79,9% das ocorrências se deu em vias públicas, sendo os homens as principais vítimas.


O impacto vai além dos registros policiais. Pesquisa do Datafolha aponta que 63% dos entrevistados evitam usar o celular em locais públicos por medo de serem abordados. O receio também altera comportamentos cotidianos: há quem evite atender ligações na rua, acionar aplicativos de transporte à vista ou consultar mapas em espaços abertos. Entre famílias com renda de até dois salários mínimos, a incidência do problema é ainda maior.


O furto de celulares deixou de ser apenas um crime oportunista e passou a integrar uma engrenagem estruturada, alimentada pela revenda ilegal de aparelhos e pelo acesso a dados pessoais. Hoje, o dispositivo concentra aplicativos bancários, documentos digitais, conversas privadas e acesso a serviços públicos. Ao subtrair o aparelho, não se leva apenas um bem material, mas um conjunto de informações que pode ser explorado em fraudes e outros delitos.


Na Paraíba, o cenário da violência segue preocupante. De acordo com o Atlas da Violência, o estado apresentou, nos últimos anos, oscilações significativas nos indicadores de criminalidade, especialmente em crimes patrimoniais e letalidade violenta. Mesmo em períodos com redução em determinados índices, os dados revelam que a violência permanece como um desafio estrutural para o estado.


Medidas voltadas ao endurecimento de penas podem funcionar como resposta imediata à pressão social, mas tendem a ter efeito mais simbólico do que estrutural quando adotadas de forma isolada. Ainda assim, o tema segue com força na agenda política: o autor do projeto, senador Flávio Bolsonaro, se apresenta publicamente como pré-candidato à presidência nas eleições de 2026. O roubo de celular, embora nem sempre envolva violência letal, impacta diretamente a sensação de segurança da população, e tende a ser cada vez mais usado como termômetro nas disputas eleitorais e na formação da opinião pública. 


Paralelamente a esse debate, perder o celular, seja por furto ou roubo, representa muito mais do que a ausência de um objeto. Trata-se do receio de que terceiros tenham acesso a fotos pessoais, conversas privadas, aplicativos bancários e dados sensíveis. É a sensação de que fragmentos da própria vida digital passaram a estar sob o controle de alguém desconhecido, possivelmente com intenções maliciosas.


Para tentar reduzir esse impacto, o governo federal criou o programa “Celular Seguro” coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proposta é simples: em caso de perda ou roubo, o cidadão pode emitir um alerta pelo aplicativo ou site e bloquear rapidamente o aparelho (via IMEI), a linha telefônica e até o acesso a bancos. Tudo em um só lugar. A iniciativa conta com apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e instituições financeiras, como o Banco do Brasil.


Na prática, isso significa menos correria. Antes, era preciso ligar para operadora, avisar o banco, registrar ocorrência e torcer para agir a tempo. Agora, o bloqueio pode ser acionado em poucos minutos, inclusive por uma “pessoa de confiança” cadastrada de maneira prévia.


Mas a proteção não começa só depois do crime. Ela já está dentro do seu bolso.


Quem usa Android tem o “Encontre Meu Dispositivo” que permite localizar o celular no mapa, fazê-lo tocar mesmo no silencioso, bloquear a tela com uma mensagem e, em último caso, apagar todos os dados remotamente. Já no iPhone, o recurso é o “Buscar” ou “find me” que oferece funções parecidas: localizar, ativar o “Modo Perdido”, exibir contato na tela e impedir que outra pessoa use o aparelho.


Essas ferramentas nativas ajudam a rastrear e proteger dados. O Celular Seguro vai além: ele integra operadoras e bancos para bloquear oficialmente linha e serviços financeiros, dificultando golpes e a revenda do aparelho.


Nenhuma tecnologia resolve sozinha o problema da violência urbana. Mas juntas, as ferramentas do próprio smartphone e a plataforma do governo, elas oferecem algo valioso em um momento de desespero: um meio rápido de identificar o telefone furtado.


Num país onde o celular virou carteira, banco, memórias guardadas… proteger o aparelho é, em grande parte dos casos, proteger a própria vida em um meio digital para o Real. E hoje, pelo menos, existem caminhos mais rápidos para fazer isso.


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