Escala 6×1: redução da jornada ganha peso decisivo nas Eleições 2026
- Repórteres: Candy Ferraz e Thay Alves

- 4 de mar.
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Atualizado: 18 de mar.
Para 84% dos brasileiros os trabalhadores deveriam ter pelo menos dois dias de folga por semana, segundo pesquisa. Apoio ao fim da escala 6×1 é maior entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 71% são favoráveis. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro, o índice é de 53%.

A PEC 221/2019, que propõe o fim da escala 6×1 e a reorganização da jornada de trabalho, já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, com apoio do presidente Hugo Motta (Republicanos) para agilizar a análise. Na manhã desta terça-feira (24), o deputado Paulo Azi (União Brasil) foi indicado pelo presidente da Câmara para assumir a relatoria da PEC. Com a proximidade das eleições de 2026, o tema passa a ter peso estratégico no debate político, envolvendo parlamentares, centrais sindicais e entidades empresariais diante do impacto da proposta sobre direitos trabalhistas e renda dos trabalhadores.
O fim da escala 6×1 apresenta força entre os brasileiros, mas com ressalvas, segundo pesquisa da Nexus divulgada em fevereiro. O levantamento apontou que 73% apoiam a medida desde que não haja corte salarial e que 84% defendem que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de descanso por semana. Quando a questão salarial não é considerada, o índice geral de aprovação é de 63%. Por outro lado, apenas 28% dos entrevistados dizem concordar com o fim da escala mesmo que a medida implique diminuição da remuneração. Outros 22% se declaram contrários ao fim do modelo atual de jornada.
Em entrevista ao JOMl@b, o presidente da Central Única dos Trabalhadores na Paraíba (CUT-PB), Tião Santos, afirmou que a redução das jornadas sem redução salarial é uma pauta que a CUT discute há muito tempo.
"Não é de hoje que a CUT e as demais centrais sindicais lutam. O fim da escala 6×1 foi um debate que ascendeu muito nesses últimos meses e até nesse último ano, mas esse tema estava engavetado no Congresso há muito tempo", comentou.
Para Tião, o maior desafio da classe trabalhadora é a resistência empresarial.
"Os empresários acham que reduzir a jornada de trabalho vai dar um prejuízo à empresa. É uma luta nossa e os empresários têm essa resistência. Então, é um desafio muito grande de nós, trabalhadores, fazermos esse debate. E, além de não termos como aliado a grande parte da classe empresarial, nós temos um Congresso elitizado, que a grande maioria da representação é da classe empresarial, classe que é dona dos meios de produção deste país. Não é fácil esse debate, mas nós estamos na luta. Vamos pressionar os deputados federais, o Congresso Nacional, para que aprovem", disse.
Tramitação no Congresso
O tema enfrenta resistência dos presidentes de dois dos maiores partidos do Congresso. Valdemar Costa Neto (PL) e Antônio Rueda (União Brasil) afirmaram, nesta segunda-feira (23), que a proposta seria prejudicial à economia e defenderam estratégias para segurar a PEC nas comissões, especialmente na CCJ, antes que chegue ao plenário. PL e União Brasil reúnem 145 deputados na Câmara, enquanto a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 depende de 308 votos. Após os posicionamentos das duas legendas, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), utilizou as redes sociais para reafirmar o apoio do governo à proposta e à jornada semanal de 40 horas.

No radar das eleições
O projeto que defende acabar com a jornada 6×1 tem mais aprovação por quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a pesquisa Nexus, 71% dos entrevistados que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 são a favor do projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1. Outros 15% são contra, enquanto 15% não opinaram. Já entre quem votou em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais, 53% são a favor do fim das 44 horas de trabalho semanais, 32% são contrários e 15% não opinaram. Quando questionados sobre a possibilidade de aprovação da proposta, 52% dos entrevistados acreditam que o Congresso deve aprovar a medida, enquanto 35% acham que não. Outros 13% não opinaram.
Na abertura dos trabalhos legislativos para 2026, o Governo Federal indicou como prioridade para o ano o fim da escala 6×1 sem corte salarial. O tema consta na mensagem enviada pelo presidente Lula ao Congresso Nacional. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, entregou a mensagem, que foi lida pelo 1º secretário da Mesa do Congresso, deputado Carlos Veras (PT).

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