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Agora os brasileiros também são latinos?

  • Foto do escritor: Repórteres: Milena Oliveira e Caren Braga
    Repórteres: Milena Oliveira e Caren Braga
  • 4 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.

Em ano eleitoral, a referência  do cantor Bad Bunny ao país no Super Bowl abriu o debate sobre a identificação dos brasileiros com a comunidade latino-americana.




Na verdade, o Brasil sempre foi latino. Mas alguns brasileiros estão descobrindo esse fato apenas agora depois que Bad Bunny, cantor porto riquenho, citou o país no Super Bowl numa afronta ao governo Trump e filmes nacionais como “Ainda Estou Aqui” e “Agente Secreto” foram reconhecidos internacionalmente. De acordo com a pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), apenas 4% dos brasileiros se identificavam como latinos em 2019. 


Apesar de ser um momento positivo de discussão sobre o termo latino e o senso de pertencimento do brasileiro com relação a esse grupo, o possível desconhecimento sobre a própria identidade é alarmante em um ano em que essas mesmas pessoas são convidadas a irem às urnas.


Isso porque conhecer a própria cultura é uma arma de combate política extremamente poderosa. “Primeiro porque a arte é uma manifestação individual e subjetiva. Mas também é uma manifestação política”, diz Fernando Trevas, mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, não existe neutralidade na arte e em virtude disso, filmes, livros, discos, quadros e demais manifestações culturais permitem o conhecimento da história de um país. Para ele, a arte é uma formação humanista, política, e cidadã.


Fernando afirma que só se defende aquilo que se conhece. “É importante a gente defender o Brasil. Mas a melhor maneira de defender o Brasil, a cultura brasileira e seu povo, é conhecer”, diz ele. E se o brasileiro médio não se sentia parte da América Latina, nem era latino até uns meses atrás, é sinal de que não se conhece a própria cultura, nem a valoriza. E isso pesa na balança na hora de decidir para quem vai o poder sob o maior país latino pelos próximos quatro anos, principalmente porque quem tem acesso à cultura no país são pessoas com maior poder aquisitivo. Além disso, o consumo de cinema é diretamente proporcional ao nível de instrução em uma nação com mais de nove milhões de analfabetos.

O boom da cultura latina vem com dois lados da mesma moeda: o reconhecimento internacional que abre novas portas econômicas e o fortalecimento da identidade cultural já existente. De acordo com dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), a procura por filmes e séries nacionais teve um aumento considerável em 2024, os filmes que antes representavam 3,2%, passaram a ter 10% de participação nas bilheterias de cinema.


Entretanto, existem outros fatores que dificultam o processo de valorização e reconhecimento cultural. Um exemplo desses problemas é a ineficiência de políticas públicas voltadas ao acesso à cultura em um país que  apresentou um superávit na exportação de serviços audiovisuais de R$2,6 bi em 2023, segundo o relatório da Oxford Economics. 


E como dito anteriormente, só se defende aquilo que se conhece. Em um cenário em que a parcela pobre da população não tem acesso a informação, ela permanecerá sem esse conhecimento. O investimento na cultura resulta em eleitores conscientes e indivíduos politizados. É o caso do estudante de direito, Pedro Henrique Carvalho, que teve seu primeiro contato com o universo cinematográfico por meio de uma mostra de cinema no sertão de Pernambuco financiada por recursos públicos.


Ele conta que antes disso tinha aquela síndrome de vira-lata de quem só consome cinema de “fora”, e acredita que aquele formato é o correto e melhor. Foi a partir dessas políticas que viu no cinema brasileiro como de fato a cultura que deveria se apropriar se quisesse conhecer seu país. “Eu sinto que consumir mais desse lugar me faz ter um senso político muito mais claro e bem estabelecido sobre quem eu sou. No final tudo é sobre identidade. É sobre nos entender enquanto pertencentes daqui”, diz ele. Segundo Pedro, foi uma reação em cadeia a partir de uma semente que foi a política pública.


E se entender enquanto brasileiro pode ser bem mais importante do que parece. Mas é necessário que toda a população nutra esse sentimento. Para construir um “Brasil com menos pirraça” é preciso que quem entende o “Raparigou ou não raparigou?” Tenha o mesmo conhecimento de quem entende o “Traiu ou não traiu, Capitu?”.









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